ter, 08 de dezembro de 2020

O ensino de música na educação básica é capaz de potencializar o aprendizado de crianças de adolescentes. Isso porque o raciocínio lógico e disciplina, explorados juntos à harmonia musical, impactam positivamente a inteligência dos indivíduos. Aspectos que não ficam de fora do documentário A Educação Musical e a Música Como Instrumento de Transformação Social, produzido pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que será lançado nesta terça-feira (8), às 15h, no canal da Instituição, no YouTube.

Nele, especialistas e artistas contam sobre suas experiências. Dentre os convidados, o vocalista Cannibal, da banda Devotos. A produção integra o projeto Música nas Escolas — Circuito de Concertos Aula, iniciado pela Fundaj em meados de 2019, pensado para garantir o acesso de estudantes das redes públicas de ensino à Quarta Arte. “São ações que se somam àquela histórica década de 1960, do educador Anísio Teixeira e do antropólogo Darcy Ribeiro, que deu o primeiro impulso ao ensino da música como processo pedagógico.

Mas também que visam efetivar um projeto amplo de Educação”, celebra o presidente da Fundaj, Antônio Campos, que relembra a Lei nº 11.769, publicada em 2008. Há 12 anos em vigor, ela estabelece como obrigatória o ensino de música nas escolas do País. Experiências pessoais e até comprovações científicas se complementam no longa metragem de 1h50min. Dentre os especialistas, o compositor, folclorista e babalorixá José Amaro relembra sua trajetória e as vivências permeadas pela música. Trombonista por amor, Amaro fundou a Banda da Cidade do Recife, em 1958, e chegou a presidir a Ordem dos Músicos do Brasil. As perspectivas acadêmicas do professor do Conservatório Pernambucano de Música Bruno Cesar, especialista em Metodologia do Ensino da Música, e da professora e flautista Basemate Neves, bacharel em Música Sacra, não ficam de fora. Mas isso não é tudo.

A transformação social através da música é atestada nos relatos de Marconi de Souza Santos, o Cannibal. O vocalista da banda punk fundada em 1988, pelos então garotos do Alto José do Pinho, conta do primeiro contato com os instrumentos e o microfone. Do ato social e político, o músico se dedicou ao estudo das técnicas e instrumentos, mas fala também do aprimoramento pessoal e aprendizado humano. Hoje, o músico mantém paralelo à carreira as palestras que realiza com o objetivo de difundir a música como instrumento de transformação social, combate às drogas e ao alcoolismo nas   comunidades em situação de risco.

História consoante as do regente do Coral Nossa Senhora Aparecida, Esli Lino, trombonista da Banda Municipal Aristides Borges, do município do Paulista; e do violinista e regente da Sinfonietta de Granada, Israel de França, que fala direto da Espanha. Os maestros de suas histórias. Israel estreou como solista, em 1982, em apresentação no Teatro de Santa Isabel, no Recife. De um dos palcos mais importantes da capital pernambucana, a música lhe levou para o mundo. Passou por orquestras sinfônicas em São Paulo e na Paraíba e foi na Europa onde fixou residência após conseguir uma bolsa de estudos da Embaixada Brasileira.