qui, 23 de julho de 2020

A quarentena e as medidas de isolamento social, por conta da Covid-19, acabam prejudicando tratamentos de saúde ocular, que necessitam acompanhamento periódico e presencial, dentre eles, a catarata. O oftalmologista e especialista na área, no Instituto de Olhos do Recife (IOR), Gerber Caraciolo explica que a doença consiste na perda progressiva da transparência do cristalino, a lente natural do olho, o que atrapalha a entrada de luz que chega à retina, provocando a diminuição da visão ou mesmo a cegueira.

Em 95% dos casos, a doença está ligada à idade, gerando alterações que podem causar desde pequenas distorções visuais até a cegueira. Por conta disso, a cirurgia de catarata não deve ser protelada. “Todos, de um modo geral, sofreremos o envelhecimento dos olhos. Mas, hoje em dia, não se espera mais que o paciente esteja cego para ser operado. Os procedimentos são realizados cada vez mais precocemente, inclusive em pacientes jovens”, explica o doutor Gerber.

Estima-se que cerca de dez milhões de brasileiros, com idade acima de 60 anos, possuam a doença. “A catarata pode prejudicar a realização de tarefas, especialmente o uso do computador e de outros aparelhos eletrônicos, como tablets e celulares, que atualmente são indispensáveis para pessoas de todas as idades. Por isso, mesmo em tempos de pandemia é essencial que os pacientes procurem seu oftalmologista e, se necessário, façam a cirurgia”, alerta o médico.

CORREÇÕES – A cirurgia de catarata é rápida e dura, em torno, de 10 a 15 minutos. É um procedimento muito seguro e utiliza anestesia tópica, que não precisa de injeções. “Trata-se de uma intervenção bastante previsível e essa previsibilidade se traduz na possibilidade de se aproveitar o momento cirúrgico para a correção de erros refrativos, liberando o paciente do uso de óculos ou de lentes de contato”, revela o oftalmologista.

A vantagem advém das lentes intraoculares, chamadas de LIOs, que substituem o cristalino opacificado pela catarata. Com o avanço da tecnologia, as LIOs têm sido aprimoradas e, hoje, conta-se com as chamadas Lentes Premium. “Além de corrigirem uma eventual miopia ou hipermetropia prévia, essas lentes podem tratar o astigmatismo, responsável pela visão sem foco, e a presbiopia, também conhecida como vista cansada”, explica o médico.

O paciente fica, se não totalmente, bastante independente de óculos de grau. “Conseguimos alcançar uma visão excelente, tanto para perto como para longe, em praticamente todos os pacientes que se submetem à cirurgia de catarata”, comenta. A permanência no centro cirúrgico é de aproximadamente duas horas, incluindo o pré-operatório, a cirurgia e a recuperação pós-cirúrgica, e o paciente recebe alta no mesmo dia.

PRÉ-OPERATÓRIO – Como para qualquer tipo de cirurgia, é necessário realizar uma boa avaliação da saúde do paciente no momento pré-cirúrgico. Pessoas com diabetes ou com doenças reumatológicas, por exemplo, sofrem restrições, dependendo do controle clínico. O estudo de cada olho vai da superfície – inclusive do tipo de lágrima (filme lacrimal) – às estruturas mais profundas, como retina e nervo óptico. Quadros de glaucoma avançado e retinopatias podem levar a algumas contraindicações também, na escolha da lente intraocular mais adequada.

Existem vários e específicos aparelhos para se calcular qual é a Lente Premium mais adequada, o tipo e o local da abertura que serão feitos no olho, a medicação, o melhor procedimento, individualizado para cada caso. Até mesmo para cada olho da mesma pessoa são realizadas avaliações distintas. São levados em consideração, ainda, o estilo de vida e a profissão do paciente. No pré-operatório, quando o médico conversa com o paciente, observa-se um pouco o perfil dele, para que se possa indicar a melhor LIO.

Outros métodos cirúrgicos são a Facoemulsificação e, ainda, o Laser Fentosegundo que é a técnica mais moderna para realizar algumas etapas da cirurgia como a incisão, a capsulorrexe (abertura na cápsula do cristalino) e a nucleofragmentação da catarata. “O laser proporciona maior precisão, previsibilidade e reprodutibilidade ao procedimento, além de oferecer maior segurança ao paciente”, esclarece o doutor Gerber.